Saúde / Mundo 02 de setembro de 2019 17h40

Morangos podem ser a chave para o desenvolvimento de uma pílula de insulina

Pesquisa avançada em nanopartículas já vem sendo aplicada à entrega de medicamentos...

Cientistas têm procurado viabilizar a administração oral de insulina para pessoas diabéticas e pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, demonstraram que tal feito é possível.

A professora de Engenharia Química Dra. Kathryn Whitehead e sua equipe disseram que o segredo está em um lugar improvável: nos morangos. “O problema da insulina é que é uma proteína. O estômago humano é muito hábil em quebrar proteínas – como faz com a comida”, disse o assistente de pesquisa Nicholas Lamson.

Para que a insulina seja terapêutica, a proteína precisa ser absorvida intacta pelo intestino delgado. Os pesquisadores desenvolveram várias maneiras de encapsular as moléculas de insulina para que elas possam passar pelo o estômago e chegar ao intestino delgado. Mas o que fazer com elas depois que alcançam o intestino tem sido o maior ponto de discórdia. Permitir que a insulina passe para o intestino delgado totalmente não digerida significa que ela será muito grande para ser absorvida pelo intestino e pela corrente sanguínea. Apesar de existirem compostos que podem “abrir os poros” do intestino delgado, poucos conseguem fazê-lo sem causar danos.

“Consideramos cerca de 110 frutas e vegetais e examinamos sua capacidade de abrir as lacunas entre as células do intestino o suficiente para permitir a passagem da insulina”, disse a professora Kathryn Whitehead.

É aí que os morangos entram. O mesmo produto químico que torna os morangos vermelhos – a pelargonidina – pode dilatar os poros intestinais de uma maneira não-tóxica que mais tarde lhes permite voltar ao normal. Portanto, se esta molécula for combinada com uma dose de insulina encapsulada, isto poderia resolver o problema da absorção da insulina e ajudar os diabéticos a controlar a concentração de açúcar no sangue sem efeitos colaterais negativos.

A equipe de pesquisa comprovou a eficácia da pílula em camundongos, mas ainda há um longo caminho a percorrer antes que uma pílula de insulina seja disponibilizada para pacientes diabéticos humanos. “Alguns desafios ainda devem ser enfrentados”, disse Nicholas Lamson, “um dos maiores [desafios] é a necessidade de dosagem variável. Os diabéticos devem testar o açúcar no sangue ao longo do dia e administrar uma dose de insulina apropriada para os níveis de açúcar no sangue. Isso é fácil, se for feito com uma injeção, mas muito mais difícil com uma pílula”.

O laboratório da Dra. Kathryn Whitehead planeja estender sua tecnologia que usa o morango a outras proteínas que não a insulina. Isso significa que essa tecnologia pode potencialmente ser usada com outras terapias proteicas, muitas das quais são usadas para tratar doenças como leucemia, osteoporose e doenças autoimunes. Tal avanço revolucionaria a assistência médica como a conhecemos, removendo a dor das injeções e melhorando a vida diária de milhões de pacientes.

Com informações: Farma T4H.

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