Cotidiano 30 de abril de 2021 15h52

Em 60 anos de história, federação estadual fomenta judô e apoia atletas

Atualmente, a FPRJ conta com cerca de 3 mil atletas e treinadores federados e 84 clubes, associações e academias atuantes...

Foto:Leila Nunes
Foto:Leila Nunes

Ao longo de 60 anos de história, que serão comemorados no dia 07 de outubro deste ano, a Federação Paranaense de Judô (FPRJ) se firmou como referência no esporte: seus filiados quase sempre figuram entre os cinco primeiros colocados nas competições nacionais, de acordo com dados da instituição. Se pódio é praxe, a luta de seus idealizadores em busca da excelência também é cotidiana – o que tem permitido um crescimento sistemático.

Atualmente, a FPRJ conta com cerca de 3 mil atletas e treinadores federados e 84 clubes, associações e academias atuantes.

Esta matéria faz parte de uma série que, a cada semana, apresenta a história de uma federação esportiva do Paraná, falando de seus projetos, números e parcerias com o Governo do Estado, por meio da Superintendência Geral do Esporte.

Criado por Jigoro Kano no Japão, no final do século 19, o judô ganhou grande prestígio no Paraná, que hoje abriga a segunda maior colônia japonesa do País. História que há 60 anos começou a ser escrita no Estado por um grupo de mestres e professores que acreditava nos ideais e no potencial da modalidade, cujos valores, enaltecidos pela FPRJ, permeiam a ética, transparência, honestidade, humildade, disciplina, respeito e inclusão.

Para o presidente da FPRJ, Luiz Hisashi Iwashita, a principal missão é fazer a federação ser reconhecida cada vez mais como uma referência a nível nacional, fomentando a prática e a evolução do judô por meio da excelência em suas atividades. “As entidades de gestão esportiva cresceram muito nas últimas décadas e com a nossa federação não foi diferente. Nossos eventos seguem padrões internacionais”, disse Iwashita.

Com atletas, treinadores, clubes, associações e academias atuantes, Iwashita vê um crescimento da modalidade, principalmente nas capitais. “A partir dos cinco anos de idade já é possível fazer parte da nossa federação e isso ajuda no desenvolvimento e manutenção do esporte”, explicou Iwashita.

Um membro da família FPRJ é Diogo Guilherme Tonietto, faixa preta 4º dan (denominação dos graus atribuídos aos mestres, que podem chegar até o 10º nível) e coordenador de rendimento da equipe Judô Tonietto, de Curitiba. Desde os dois anos ele pratica a modalidade por influência dos irmãos mais velhos.

“Nunca tive minha vida fora do judô. Entrei no esporte em 1991 e sou federado desde 1997, participando sempre das competições oficiais da federação”, contou Tonietto.

Ele enfatizou que a entidade é fundamental na construção da carreira, tanto para atleta como para técnico. “A federação rege a modalidade no nosso estado e ela tem um fator fundamental de fomentar maior número de praticantes”, explicou o atleta.

Apesar da possibilidade de se federar já aos cinco anos, as competições organizadas pela FPRJ começam com integrantes a partir dos sete anos e vão até a categoria sênior (adultos). Em 2019, a entidade realizou mais de 20 competições. Entre elas estão o Campeonato Paranaense, Torneio Regional (cinco regiões paranaenses e aberto com atletas não federados) e a Copa Paraná, a qual acontece no Ginásio do Tarumã, com o apoio do Governo do Estado.

Como judoca, Tonietto explicou que as competições estaduais são realizadas pela federação ou tem uma chancela da instituição – autorizada ou desenvolvida por ela. Para ele, a padronização e as sequências das mesmas normas e regras de arbitragem são fundamentais para elevar o nível de todas as competições no Estado.

INOVAÇÃO – Com a pandemia da Covid-19, a FPRJ, teve todas as suas atividades e competições suspensas. Com as dificuldades veio também o momento de inovação com o judô online. A partir de março de 2020, quando começou o isolamento social, o calendário da FPRJ teve de ser reformulado e as atividades foram adaptadas para o ambiente virtual.

Em abril do ano passado, a instituição paranaense iniciou o projeto Fala Sensei, uma iniciativa que consiste na apresentação de lives semanais abordando temas relacionados à prática do judô, voltados a atletas, técnicos, professores, árbitros e toda à comunidade judoísta do País.

As transmissões começaram em 17 de abril e desde então mais de 30 sessões reuniram dirigentes, medalhistas olímpicos e profissionais da área da saúde.

Além disso, a FPRJ promoveu cerca de 10 cursos online durante 2020. Destaque para o de credenciamento técnico, que teve mais de 150 participantes. Também foram disponibilizados cursos de arbitragem, primeiros socorros, técnicas, kata (prática que é uma simulação de luta real, onde se executa uma sequência de golpes e defesas pré-determinada), além de uma mesa redonda.

PIONEIRO – O Paraná foi o Estado pioneiro em eventos online da modalidade ao lançar o Campeonato Paranaense Funcional de Judô. Em forma de treinamento funcional, o evento foi dividido em tempo e rounds, com demonstração de golpes e exercícios. No primeiro dia de competição aproximadamente 3.500 pessoas visualizaram a transmissão ao vivo no YouTube, sendo também a competição com o maior número de inscritos entre todas as disputas nacionais.

Outro ponto importante da instituição é esse suporte continuo aos atletas. Iwashita ressalta que a FPRJ busca dar total apoio, seja por meio das competições ou custeando viagens (inscrições, transporte e hospedagem).

Entre as atletas incentivadas está Natasha Padilha Ferreira, filiada desde 2009, quando tinha dez anos. Para a judoca, a FPRJ é uma importante ligação para a Confederação Brasileira de Judô. “A federação, além de organizar os treinamentos da seleção paranaense, dá todo suporte para o atleta não se preocupar com inscrição para campeonatos brasileiros e viagens nacionais”, contou Natasha.

Programa Geração Olímpica apoia atletas do judô

Desde o início do programa Geração Olímpica, realizado pelo Governo do Paraná com o patrocínio da Copel, em 2011, até a edição passada, em 2020, foram 382 bolsas ofertadas para atletas e técnicos do judô paranaense. Natasha é bolsista desde 2012. A atleta destaca que a carreira de judoca é muito difícil por exigir bastante, dois, até três treinos diários.

Com a bolsa, Natasha pôde viajar, treinar e competir com diferentes atletas, estilos de lutas e se aperfeiçoar na modalidade. Assim busca o seu sonho: os Jogos Olímpicos. “Não diria que o judô é um esporte solitário. Apesar de individual, para você chegar ao topo precisa de muita gente. A bolsa me possibilita esse intercâmbio”, disse.

O judô também está presentes nas competições estaduais realizadas pela Superintendência Geral do Esporte. Na edição de 2019 dos Jogos Abertos do Paraná (JAPS) foram 161 atletas e 28 equipes inscritas. E nos Jogos Universitários do Paraná (JUPS), 191 atletas participaram e 34 equipes foram inscritas.

Judô é destaque olímpico desde 1964

O judô estreou no programa olímpico nos Jogos de Tóquio (1964), apenas como demonstração, e passou a valer medalha a partir de Munique, em 1972. Somente 20 anos mais tarde, em Barcelona, as mulheres foram aceitas e começaram a competir.

O atleta de maior destaque do judô paranaense é Rafael Silva, peso-pesado integrante da seleção brasileira de judô. O medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e Rio 2016 é tetracampeão pan-americano, tricampeão sul-americano, campeão dos Jogos Sul-Americanos no peso absoluto, três vezes campeão e um vice-campeonato na Copa do Mundo de Judô, prata no Grand Slam de Paris, ouro no Masters Top 16 Almaty e prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

Atualmente, tem grande destaque no Paraná a atleta paralímpica Meg Emmerich, que em 2019 conquistou o ouro em duas competições importantes: nos Jogos Parapan-americanos de Lima, no Peru, e no Aberto da Alemanha de judô paralímpico. Além disso, conquistou em 2018 o bronze no Campeonato Mundial de Judô Paralímpico em Lisboa, Portugal. Em 2020, foi convidada para o evento-teste do judô para deficientes visuais em Tóquio. Meg é bolsista do Geração Olímpica desde 2018.

Com informações: AEN.

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