Cotidiano / Brasil 13 de setembro de 2019 17h58

Ele perdeu a esposa e entrou em depressão, mas deu a volta por cima com o tricô

Há dois meses, Braz vai toda quinta-feira, das 9h às 11h30, até o Cras. O veículo de locomoção é uma bicicleta elétrica. A bolsa leva alguns dos trabalhos artesanais que está aprendendo a fazer no local...

Braz Vieira (Foto: Divulgação/SMCS/Luiz Costa)
Braz Vieira (Foto: Divulgação/SMCS/Luiz Costa)

“Minha esposa faleceu e perdi a vontade de viver. Aqui, eu recuperei a alegria. Posso dizer que eu renasci”, conta o aposentado Braz Vieira, de 80 anos. Ele é um dos 20 participantes do grupo de convivência da terceira idade do Cras Nossa Senhora da Luz, na CIC.

Há dois meses, Braz vai toda quinta-feira, das 9h às 11h30, até o Cras. O veículo de locomoção é uma bicicleta elétrica. A bolsa leva alguns dos trabalhos artesanais que está aprendendo a fazer no local.

O aposentado se destaca por ser o único homem no grupo e um tricoteiro de mão cheia.
“Nunca fui de ajudar a minha esposa em casa ou um homem que gostasse de artesanato, mas o tricô tem sido uma terapia”, disse Vieira.

Foi a filha, Roselys Vieira, que o incentivou. Ela já participava do grupo e achou que seria uma atividade interessante para tirá-lo de casa e auxiliar no tratamento da depressão.
“Meu pai vive sozinho, é independente, mas o falecimento da minha mãe o deixou muito triste, sozinho. Fiquei surpresa com a mudança tão rápida”, explica Roselys.

Virada
Não foi somente Braz que mudou depois de frequentar o Cras. “Cada um tem uma história de superação”, conta Mario Luiz Viera, educador social.

Um dos casos mais emblemáticos de mudança de comportamento, segundo o educador, foi da Bruna Magda Gonçalves de Silva Dias. Ela estava afastada no trabalho devido a depressão.
“Quando chegou, a Bruna não olhava nos olhos de ninguém. Só para o chão. Agora, é outra pessoa”, conta Vieira, que não esconde o orgulho do trabalho.

Quatro anos depois de começar a frequentar o grupo, Bruna aprendeu uma nova profissão, vende os panos de prato que pinta e outros artesanatos. Ela não participa mais semanalmente das atividades, agora, é voluntária.

“Sou muito grata pela ajuda que recebi aqui, por isso costumo vir para ajudar também”, disse Bruna.

Fonte de renda
Para Irene Rodrigues Dias, o aprendizado virou uma fonte de renda. A dona de casa vende panos de prato, fronhas e tapetes. Frequenta o grupo há cinco anos e mesmo quando passou por uma cirurgia ocular e não enxergava para produzir o artesanato, não deixou de participar das aulas.

“Eu conto os dias para que chegue quinta-feira. Sou muito feliz aqui e não falto, faça chuva ou faça sol”, conta Irene.

Grupos de convivência
O Cras Nossa Senhora da Luz oferece serviços de convivência, socialização, apoio e acompanhamento familiar à comunidade.

Têm vagas abertas para os três grupos de convivência, que acontecem às segundas-feiras, das 14h às 17h, terças-feiras, das 14h às 16h, e quintas-feiras, das 9h às 11h30.

Noemi Lima Meireles de Souza, pedagoga técnica de referência dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, explica que as aulas de artesanato são uma forma de aproximação da comunidade.

“Uma oportunidade para tralharmos o fortalecimento de vínculos, da autoestima e o desenvolvimento pessoal. Orientamos, observamos, estimulamos a autonomia e a criatividade”, explica a pedagoga.

Além dos grupos de convivência, o Cras realiza o Cadastro Único da Assistência Social - CadUnico e promove atividades de convivência em comunidade.

Cras Nossa Senhora da Luz
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
Endereço: Rua Davi Xavier da Silva, 451, CIC
Informações: 3248 2246

Com informações: Bem Paraná.

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