Agricultura / Mundo 26 de junho de 2019 09h07

BIOTECNOLOGIA E BIODIVERSIDADE: COEXISTENTES E COLABORATIVAS

Fora a proteção de cultivos, que foi o primeiro grande ponto endereçado pela biotecnologia moderna por meio de culturas tolerantes a herbicidas e resistentes a insetos, vimos...

A agricultura sustentável compreende e depende da biodiversidade. Por uma perspectiva, só temos a capacidade de produção que existe hoje por conta da diversidade natural que permitiu ao homem criar a sua própria diversidade domesticada com organismos de interesse. Por outra, só conseguiremos manter a ampliação do uso de seres vivos para nosso benefício se zelarmos pela variabilidade construída até hoje. Seria, inclusive, contraditório fazermos o contrário.

Assim, para que a agricultura se sustente e não interfira negativamente no meio ambiente e em demais atividades socioeconômicas, é preciso considerarmos a manutenção da grande biodiversidade que hoje existe nas terras agriculturáveis e no restante do planeta. A biotecnologia, ao contrário do que às vezes se prega, pode contribuir substancialmente para isso.

Como já sabemos, a biotecnologia tem praticamente a mesma idade da agricultura, que por sua vez data do momento em que os primeiros assentamentos humanos foram criados. Passados muitos anos, chegamos na modernidade e esse grande corpo de conhecimento se refinou a ponto de conseguirmos manipular de forma muito precisa o código genético de plantas e demais organismos para chegarmos a características específicas de uma maneira mais rápida. Mas essa rapidez de nada valeria se não voltássemos ao ponto da diversidade biológica e a considerássemos na equação que sustentará a própria humanidade pelas décadas que estão por vir. E já temos evidência suficiente para afirmar que é isso que estamos fazendo ao nos utilizarmos da biotecnologia aplicada à agricultura.

A Conferência sobre Biodiversidade das Nações Unidas, que aconteceu no Egito em 2018, foi um evento no qual testemunhos de especialistas estavam justamente alinhados a esse pensamento. Alguns pesquisadores que participaram do evento ressaltaram o quanto a adoção da biotecnologia agrícola como uma prática agronômica inteligente pode ter um papel importante no meio ambiente. Um exemplo disso é o aumento da produtividade, que já passou dos US$ 185 bilhões em ganhos acumulados. Esse aumento reduz a área necessária para que uma mesma meta de produção seja atingida, o que automaticamente diminui o impacto ambiental na comparação com a abertura de novas terras agriculturáveis. Ao todo, 183 milhões de hectares deixaram de ser utilizados pela agricultura graças à biotecnologia. Por outro lado, técnicas seletivas que permitem que apenas pragas nocivas às culturas sejam atacadas reduziram a quantidade de produtos químicos nocivos que teriam que ser utilizados na proteção de cultivos em mais de 18%, além de preservar organismos benéficos não alvo.

Fora a proteção de cultivos, que foi o primeiro grande ponto endereçado pela biotecnologia moderna por meio de culturas tolerantes a herbicidas e resistentes a insetos, vimos surgir mais recentemente uma nova geração de produtos que possuem outras características valiosas para o agricultor e o consumidor final. A tolerância à seca dá a possibilidade de cultivo e geração de uma alta produtividade mesmo em condições de restrição hídrica, ampliando as possibilidades da agricultura e diminuindo a demanda por água e a exploração de novas áreas. Na outra ponta, produtos que duram mais na prateleira do mercado resultam em menos desperdício de alimentos — algo que, quando largamente implantado, trará um enorme benefício à cadeia produtiva por meio da redução de perdas.

O valor que a biotecnologia tem para a biodiversidade já é reconhecido por muitos. Como um dado adicional, podemos também colocar números que indiretamente nos provam isso. As reduções em emissão de CO2 já totalizaram 27,1 milhões de toneladas — o equivalente a tirar 16,7 milhões de carros das ruas por um ano. Imagine o que isso pode representar para a nossa saúde e a saúde das outras milhões de espécies que existem na Terra. Isso mostra um cenário positivo para que novos desenvolvimentos biotecnológicos caminhem junto com a biodiversidade e o bem do nosso planeta.

Com informações: Agricultura Moderna .

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