Cotidiano / Brasil 12 de julho de 2018 09h20

Um ano depois da condenação de Lula, acusadores ainda não conseguiram acordo

Em 12 de julho de 2017, Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão no processo do tríplex de Guarujá (SP)....

Um ano após a sentença que originou a prisão do ex-presidente Lula, acusadores do petista no caso ainda não conseguiram fechar acordo de delação e tiveram retirados benefícios concedidos pelo juiz Sergio Moro.

Em 12 de julho de 2017, Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão no processo do tríplex de Guarujá (SP).

Dois dos outros réus, o empreiteiro da OAS Léo Pinheiro e Agenor Franklin Medeiros, ex-diretor da empreiteira, deram, meses antes da sentença, depoimentos cruciais para a condenação do petista, apesar de não terem firmado um acordo de colaboração na Lava Jato.

Na sentença do juiz paranaense, as declarações de Pinheiro e de Medeiros são citadas dezenas de vezes. A maior contribuição da dupla para a prisão de Lula foi a corroboração, em depoimentos, da tese dos procuradores que liga desvios em projetos da Petrobras feitos pela OAS a uma "conta-geral de propinas", de onde sairiam recursos para a reforma e aquisição do tríplex atribuído ao ex-presidente.

A iniciativa de confessar crimes na ação e acusar o petista foi interpretada como tentativa de apressar negociações para um acordo que os livrasse da prisão em regime fechado.

Até agora, porém, a negociação não se transformou em um acordo formalizado.

E a situação da dupla ainda piorou. Na sentença, Moro disse que Pinheiro e Medeiros contribuíram "para esclarecer a verdade" e decidiu criar uma fórmula para recompensá-los, mesmo sem acordo.

O juiz estipulou que o empreiteiro deveria ficar no máximo dois anos e meio preso em regime fechado em razão de todas as ações a que responde na Lava Jato. O executivo, ordenou o juiz, teria o mesmo benefício, mas com teto de dois anos. Moro também autorizou os dois a ter progressão de regime independentemente da devolução de recursos desviados.

Mas, em janeiro, todos esses pontos foram revistos no julgamento feito na segunda instância por juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sob argumento de que os benefícios eram excessivos.

Os juízes da corte decidiram que Medeiros deveria receber pena de um ano e dez meses e Pinheiro, de três anos e meio de prisão. A pena de Lula passou para 12 anos e 1 mês.

Pinheiro foi chamado para depor em um outra investigação sobre o petista, em setembro. Dessa vez, no entanto, disse apenas que detalharia o assunto "no âmbito da colaboração" e não respondeu perguntas. As defesas não se manifestam a respeito.

Outro acusador do ex-presidente também ainda não fechou acordo: o ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Ele não era réu nesse caso, mas revelou antes da sentença, em depoimento, que havia se reunido com Lula em 2014 e que foi questionado sobre a existência de contas no exterior. Em audiência, Lula se atrapalhou ao falar dessa reunião, e Moro chamou o episódio de "inusitado" na sentença.

 

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