Cotidiano / Curitiba 16 de abril de 2018 17h17

Quanto custa e quem paga as despesas dos acampados pró-Lula em Curitiba

Doações, dinheiro do próprio MST e dos acampados mantêm 17 cozinhas, limpeza e barracas...

(Foto: Franklin de Freitas)
(Foto: Franklin de Freitas)

O secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores (PT), Emídio de Souza, chegou a dizer em pronunciamento durante ato político no acampamento que em um dia foram arrecadados R$ 300 mil em doações, incluindo alimentos e outras. O valor estimado pelo petista não foi confirmado pela organização do acampamento. O grupo de comunicação, porém, confirma que o valor “é factível”. Além das doações e do caixa próprio de organizações como o MST, os grupos também comercializam camisetas, adesivos, botons, bandeiras e outros adereços. Alguns fazem contabilidade paralela, sem necessariamente compor caixa com a organização.

Para a alimentação, ao todo, são 17 cozinhas improvisadas em funcionamento, que hoje servem cerca de mil refeições por dia aos acampados. Boa parte dos alimentos vem de assentamentos do MST no Paraná, mas a maior parte é doada por moradores de Curitiba, militantes ou curiosos.

Entre as cozinhas improvisadas com lona, uma das mais movimentadas é de dona Madalena Phain, de 70 anos. Ela conta que já recebeu um lote em um dos projetos de assentamento e que agora luta para que seus filhos e outros companheiros se beneficiem “da luta”. Para isso, ela conta que acorda às 5 horas para preparar refeições no acampamento e passa o dia todo de pé. “Todos tem uma tarefa. Entra um e sai outro. Mas tem coisas que orgulham. Veio uma senhora de Curitiba, ela chegou, chorou muito aqui. O nome dela é Marta. Ela me deu uma barraca nova, porque eu contei pra ela que eu tava dormindo no ônibus”, diz. Madalena afirma que não há contrapartida financeira. “Eu trouxe meu dinheirinho. Como estão cobrando cinco reais para o banho, estou economizando. Ainda tenho que ir comprar meus remédios para pressão. Aqui a gente não vai ganhar (o remédio), não tem a carteirinha (da unidade de saúde). Meus filhos não queriam que eu viesse. Mas enquanto eu tiver forças eu vou lutar”, diz a idosa. 

Outro integrante do acampamento, Oldair da Silva, 52, também de Centenário do Sul, conta que sua caravana, de cerca de 40 pessoas, recebeu R$ 800 para pagar os custos da viagem. “Temos um armazém que a gente arrecada para vir para ‘luta’. Trouxemos comida para quatro dias, refeição para 110 pessoas. E a direção liberou 800 reais. A direção paga o ônibus. E tem os simpatizantes que gostam, ajudam, doam dinheiro e alimento. Eu sou pedreiro. Eu trouxe dinheiro meu. Eu já fui para Brasilia com 30 reais. Viagem longa, sofrida, inchou meus pés. Mas chegou lá o pessoal receptivo, aquilo encheu de comida”, conta.

Oldair corrobora com a opção da organização em manter a vigília, mesmo pressionada pela decisão judicial e animosidade de parte da vizinhanla. “Não tem plano. A gente vai ter que resistir. Quando a gente vem para essa luta, a palavra já diz. É luta.  Nós temos uma causa. Estamos lutando pela terra. Outros estão na terra e estão lutando pela luz na terra. Outros pela estrutura para trabalhar a terra”, aponta.  Oldair defende Lula e acredita na mobilização. “Não só por ele. Mas se identifica, (Lula) fala um pouco a nossa língua. A reforma agrária tinha que ser feita pelo governo”. 

Com informações: Bem Paraná.

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