Cotidiano / Brasil 14 de março de 2018 14h47

Professor é denunciado após postagem racista em rede social

Instituto Federal onde ele trabalha abrirá uma sindicância para apurar a conduta do profissional...

Os alunos do do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia  (IFSP), realizaram, nessa segunda-feira (12), manifestações dentro do campus, em frente à direção, contra um professor do instituto que postou um comentário racista nas redes sociais. No comentário, feito no fim de semana, o professor José Guilherme de Almeida afirmou odiar pretos e pardos, e criticou sua alimentação "em bandos". 

"Horror de turismo. Odeio pretos e pardos falando muito e comendo de tudo por muito tempo, em bandos, nos hotéis três estrelas de orla de praia! Um café da manhã macabro com tanta algazarra e gulodice. Alguém consegue comer carne de sol logo cedo lotando o prato por três vezes? Eles conseguem, todos! Queria ser muito rico e ter o café no meu quarto sempre nu e escutando Mozart", diz o texto. 

Após a repercussão do episódio, o professor apagou a postagem, mas o print viralizou na internet e os alunos do IFSP, além de outros movimentos, cobram ações do instituto. 

Indira Quaresma, conselheira seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal, explicou que há uma repercussão administrativa e outra penal. "A política do Instituto Federal tem uma orientação clara de punir crimes raciais e sociais.

Logo, deve abrir uma sindicância para analisar a situação e apurar o caso, para não deixar passar batido", esclareceu. 

Ela destacou que como o servidor não se refere a alguém em específico e sim à comunidade negra como um tudo, o crime penal não é simplesmente uma injúria racial. Para Indira, o caso se encaixa no artigo 20 da lei dos crimes raciais, 7716/89, que diz que "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional tem como pena reclusão de  1 a 3 anos e multa". "Feito por um meio de comunicação social aumentaria a pena para até cinco anos, além de multa. Se o Ministério Público entender que ele se enquadra na lei, esse seria a provável análise do caso", explicou.

O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) informou, em nota, que já teve conhecimento do texto divulgado pelo docente e iniciou a apuração dos acontecimentos. "O IFSP declara que repudia quaisquer formas de preconceito e discriminação dentro ou fora de seus muros, seja por parte de um servidor ou de outro cidadão. A Instituição se compromete com a construção de uma sociedade plural e de múltipla representatividade. Nesse sentido, vale lembrar que o IFSP mantém grupos de debates, abertos à comunidade interna e externa à Instituição, que abordam tais temas em sua agenda." 

De acordo com o IFSP, discussões que abordam tal tema são parte integrante dos currículos dos cursos nas 36 unidades e nos espaços de sociabilidade. Destacou, ainda, os coletivos estudantis Cabeça de Nego e Três Marias, reconhecidos e apoiados pela direção da Instituição.

Com informações: Estado de Minas.

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