Saúde / Paraná 08 de dezembro de 2017 14h40

Paranaense sofre com doença de Lyme, “a dor que ninguém vê”

Nos últimos três anos, Paraná diagnosticou 11 casos da doença, cujas consequências são graves...

Dorali de 39 anos, mora em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. Desde novembro do ano passado está afastada de seu emprego pelo INSS e também teve de largar a faculdade que cursava. O motivo? Uma enfermidade rara chamada Doença de Lyme, causada pela bactéria Borrelia burgdorferi e que é geralmente transmitida às pessoas por carrapatos. 

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, desde 2015 foram diagnosticados pelo menos 11 casos da doença no Paraná. Muitas vezes mal diagnosticada e tratada erroneamente, o problema, também conhecido como a doença do carrapato, pode deixar, em sua forma crônica, o paciente debilitado física e mentalmente.

No caso de Dorali, os sintomas começaram a aparecer em outubro do ano passado. Começou com um joelho inchado. “No Hospital, onde eu trabalhava, uma médica fez um exame e achou que seria algo relativo ao joelho mesmo, indicando para eu ir a um médico ortopedista. O médico que me atendeu disse não ser nada e prescreveu Alginac 1000 para o tratamento de cinco dias”.

Passaram-se os cinco dias, porém, e o joelho não só continuava inchado, como outros sintomas começaram a aparecer, como dores de cabeça e febre alta constante. “Mas continuei trabalhando. Achei que era algo relacionado ao estresse, coisa do dia a dia”.

Foi quando a situação começou a se agravar. É que a doença, quando diagnosticada rapidamente, tem tratamento rápido, questão de dias. Se o diagnóstico demorar, contudo, as complicações podem ser graves. Foi o que aconteceu com Dorali.

“Comecei a ter esquecimentos rápidos, pontuais, e também apareceram manchas na minha pele. Vieram também as dores nas articulações, ao ponto de eu praticamente não andar mais. Parecia uma senhorinha, tinha que me preparar psicologicamente para levantar e apoiar nas paredes para andar com muito esforço e dor”, relata.
Foi quando o marido decidiu levá-la ao hospital São Vicente, onde permaneceu internada por duas semanas. “Cheguei a pensar que ia morrer, mas com os medicamentos que me deram o quadro clínico melhorou e tive alta, sendo encaminhada à especialidade de reumatologia”.

"Eu fui o primeiro caso de Curitiba", diz paciente
Foi a reumatologista quem finalmente desconfiou do que poderia estar acontecendo com Dorali, devido às alterações nos leucócitos e plaquetas, além dos sintomas existentes, e recomendou o exame sorológico para Doença de Lyme, exame que foi refeito em dezembro, a pedido de uma infectologista. “A maioria das pessoas não percebem que foram picadas e a maioria dos médicos não estão preparados para diagnosticar o problema, até porque é uma doença bem rara por aqui. Eu mesma fui um dos primeiros casos no Paraná, o primeiro em Curitiba”, conta Dorali, que por conta da doença “ganhou” artrite rematoide num grau crônico e começou a ter corrosão óssea.

Suspeita de transmissão por contato com cachorros de rua
Até hoje, porém, Dorali não sabe ao certo como contraiu a doença, descoberta em 1976 nos Estados Unidos. “O piso de minha casa é cerâmico, o pequeno quintal é de pedras e não tenho cachorro ou qualquer animal de estimação. Não observei, não vi, nenhuma picada de carrapato no meu corpo, nenhum sinal correspondente”.

A desconfiança principal, segundo ela, é que a transmissão tenha se dado por meio do contato com cachorros de rua, que transitam no terminal de ônibus de Fazenda Rio Grande. “Imagino que muitas pessoas possam ter os mesmos sintomas, mas não sabem. Espero que contando minha história possa ajudar mais pessoas a buscarem ajuda.”

Com informações: Bem Paraná.

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