Religião / Mundo 12 de abril de 2018 08h29

Papa faz mea-culpa sobre casos de pedofilia

Francisco foi duramente criticado no país por não ter afastado o bispo após acusações de pedofilia supostamente cometidas por padres no Chile...

O papa Francisco reconheceu nesta quarta-feira (11) que cometeu "graves erros de avaliação" sobre as acusações de pedofilia supostamente cometidas por padres no Chile e convocou os bispos do país para uma reunião em Roma sobre a situação.

Na carta aos bispos, apresentada pela Conferência Episcopal de Bispos do Chile, Francisco pediu perdão aos chilenos e prometeu se encontrar com as vítimas.

"Reconheço, e quero que isso seja transmitido fielmente, que incorri em graves erros de avaliação e de percepção da situação, especialmente por falta de informação veraz e equilibrada", afirmou o papa na carta dirigida a 32 bispos.

"Peço perdão a todos a quem ofendi e espero poder fazê-lo pessoalmente, nas próximas semanas, nas reuniões que terei com representantes das pessoas entrevistadas", acrescentou.

Durante sua visita ao Chile, em meados de janeiro, o papa havia defendido o bispo de Osorno, Juan Barros, acusado de acobertar abusos sexuais de padres contra menores.

"Não existe uma única prova contra [o sacerdote], tudo é calúnia, está claro?", afirmou à época o pontífice. "O dia em que me trouxerem uma prova vou falar", disse então à Radio Bío Bío.

VISTA GROSSA

Francisco foi duramente criticado no país por não ter afastado o bispo.

Prevaleceu a percepção de que ele havia feito vista grossa aos crimes de pedofilia cometidos pelo padre Fernando Karadima, condenado em 2011 por abusar sexualmente de adolescentes.

Já de volta à Santa Sé, o papa pediu desculpas às vítimas chilenas. No fim de janeiro, ele decidiu enviar o principal investigador de abusos sexuais da Igreja Católica, o cardeal maltês Charles Scicluna, para o Chile a fim de apurar as denúncias.

Francisco escreveu a carta de agora após ler 2.300 páginas do relatório de Scicluna, que lhe provocaram, disse ele, "dor e vergonha".

Ele quer discutir o documento com os bispos e pediu que eles colaborem para restabelecer a serenidade na Igreja chilena, a "reparar o escândalo o quanto possível e a restabelecer a justiça".

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