Agricultura / Brasil 14 de março de 2018 16h16

Falta de conectividade é entrave à difusão da agricultura de precisão

Para especialistas o governo precisa colaborar no investimento de tecnologia no campo...

A ausência de conectividade digital e carência na assistência técnica aos pequenos produtores são os principais entraves para a consolidação da agricultura de precisão no Brasil. Apesar de as propriedades familiares serem maioria no setor, a falta de estrutura dificulta o crescimento da produtividade. Esta foi uma das conclusões dos especialistas que integraram a terceira mesa de debates do seminário Inovação no Brasil: Centro-Oeste, promovido pela Folha de S.Paulo e com patrocínio do governo de Goiás, nesta segunda-feira (12), no K Hotel, em Goiânia.

A agricultura de precisão é a tradução de informações que contribuem para a redução do uso de insumos, para o aumento de produtividade e para uma maior renda aos produtores, explicou Luis Henrique Bassoi, pesquisador da Embrapa Instrumentação. "É uma forma de gestão de uma área agrícola que leva em consideração a variação de fatores em um determinado sistema de produção no espaço e tempo. Possibilita analisar e tomar decisões de um modo diferenciado".

José Mário Schreiner, presidente da Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás), afirmou que a união entre as esferas políticas e entidades de pesquisa é fundamental para a inclusão da produção familiar na agricultura de precisão. "Temos muita tecnologia no agronegócio, mas isso não consegue chegar às propriedades rurais, principalmente àquelas de menor porte". 

INÍCIO NOS ANOS 1990 

A agricultura de precisão foi introduzida no Brasil nos anos 1990, com a chegada dos primeiros tratores com sistema de GPS. Nas últimas décadas, o sistema evoluiu para outras frentes de trabalho, incluindo plantadeiras, colheitadeiras e pulverizadores pré-programados de acordo com as condições da área. Schreiner afirmou que a automatização do trabalho rural reflete no protagonismo do Brasil como produtor mundial de alimento. Além da mudança na produtividade, a agricultura de precisão também atraiu profissionais e especialistas de outras áreas ao agronegócio, segundo Bassoi. O aumento nos investimentos na área elevará o setor ao o que o especialista chama de fazendas inteligentes. Precisamos ter essa transmissão de dados de maneira mais eficiente. A partir disso, teremos práticas diferenciadas do tratamento de solo, água, controle de plantas invasoras, controle de pragas e doenças.

POLÍTICAS PÚBLICAS DIFERENCIADAS 

Apesar de ser majoritariamente presente em lavouras de grande escala, os especialistas ressaltam que o emprego da agricultura de precisão é acessível para todos os tipos de produção. "O procedimento é passível de utilização em qualquer sistema de produção e em escalas diferentes", disse Bassoi. Para Schreiner, a diferenciação deve ser nas ações do poder público para a inclusão de todos. "Todos nós somos produtores. Não existe essa diferença, o que devem existir são políticas públicas para chegar a esses produtores menores e cadeias menos favorecidas".

BENEFÍCIOS AMBIENTAIS 

A análise de áreas que precisam de maiores combativos contra pragas, resultando na redução do uso de defensivos agrícolas, também foi enfatizada pelos especialistas como benefício da agricultura de precisão. Segundo o presidente da Faeg, a economia chega a 80% em determinadas situações. A seleção de áreas para irrigação também foi apontada como outra contribuição para preservação ambiental. A irrigação é o maior elemento da agricultura de precisão, porque consigo controlar exatamente a minha umidade do solo, assim como eu desejo ou preciso, afirmou Pontes.

Com informações: Bem Paraná.

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