Agricultura / Paraná 30 de agosto de 2018 16h51

Estiagem e geada reduziram em 15% produção de grãos no Paraná

O tempo seco e a geada foram fatores determinantes para os resultados da segunda safra, prejudicando principalmente o milho e o feijão...

O resultado da safra 2017/18 dos principais grãos do Paraná teve interferência de fenômenos climáticos. Os números divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, que faz o acompanhamento das lavouras em todo o Estado, mostram que na safra 17/18 foram produzidas 35,6 milhões de toneladas de grãos, uma redução de 15% na comparação com a safra anterior, que foi de 41,7 milhões de toneladas.

O tempo seco e a geada foram fatores determinantes para os resultados da segunda safra, prejudicando principalmente o milho e o feijão. A estiagem de mais de 40 dias que castigou o Paraná nos últimos meses influenciou negativamente a produtividade. A produção final de feijão atingiu 613 mil toneladas, 21% menos que na safra 16/17, e a produção de milho reduziu 31% .

“Apesar da redução, a perda foi compensada pelos preços melhores”, explica o chefe do Deral, Marcelo Garrido. Entre as principais culturas do Paraná, a soja teve resultados positivos, e registrou a segunda maior safra da história do Estado. Já o trigo teve aumento de 33% na produção, em comparação com a safra 16/17. 

SOJA

O Deral estima a colheita da soja no Paraná em 19,1 milhões de toneladas. É uma safra satisfatória e com preços melhores neste ano, na comparação com a safra passada, com perda de apenas 2% quando comparada com a expectativa inicial. Apesar de não ter sido a melhor safra em produtividade, é considerada a segunda maior da história do Paraná em termos de volume. A saca de 60 quilos foi comercializada por cerca de R$ 79,00 na última semana, enquanto que no ano passado a mesma quantidade era negociada por volta de R$ 58,00. Entre as explicações para a variação de 36% está a alta do dólar, que colaborou com preço interno, além da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, explica Marcelo Garrido.

TRIGO

O tempo seco das semanas seguintes ao levantamento anterior agravou os índices de produtividade de trigo no Paraná, segundo o engenheiro agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho. As perdas foram de 14% em agosto, ante 9% em julho. As geadas do fim de semana também devem trazer prejuízos para a safra, mas não estão computadas no levantamento atual, pois a geada levará mais tempo para mostrar seus efeitos sobre a lavoura. No entanto, a produção no mês de agosto está estimada em 3 milhões de toneladas, 33% a mais do que na safra anterior.

O preço do trigo acompanhou o mercado internacional e caiu 5% neste mês, passando de R$49,50 para R$47,00 a saca de 60 quilos. Ainda assim, é possível que esses preços cubram os custos do produtor, que pode ter resultados positivos se tiver uma boa produtividade. A colheita do trigo no Paraná já iniciou de forma incipiente.

MILHO

Nos meses anteriores, a cultura do milho já foi prejudicada pela estiagem. Em agosto, a produtividade levantada está abaixo do esperado, com perda estimada em quase 3 milhões de toneladas. A produção está estimada em 9,1 milhões de toneladas, volume 31% menor do que a safra anterior (13 milhões de toneladas). Com relação à colheita, o analista do Deral, Edmar Gervásio, explica que o milho de segunda safra avança no Paraná, podendo atingir mais de 90% no final do mês.

Hoje, estão colhidos 86% dos 2,1 milhões de hectares. Os preços estão acima de R$ 30,00 por saca de 60 quilos, uma alta de aproximadamente 60% em relação a 2017. No mercado interno, essa elevação se explica pela menor disponibilidade do cereal no Paraná e no Brasil como um todo. “Entretanto, os preços no mercado internacional subiram pouco mais de 10%”, diz Gervásio.

FEIJÃO

A área cultivada nas três safras do feijão no Paraná - das águas, da seca e de inverno - foi de 410 mil hectares. A produção final do período chegou a 613 mil toneladas, um resultado 21% menor que na safra 16/17, principalmente em decorrência da estiagem. Na primeira safra os produtores paranaenses colheram 332 mil toneladas, na segunda 279 mil toneladas e na terceira 2.041 toneladas. Na primeira safra, a produção reduziu em 12 %, 43 mil toneladas a menos que a safra anterior. Na segunda a redução foi de 32%, ou 129 mil toneladas. E na terceira a queda foi de 11% - 263 toneladas a menos. No total, o Paraná deixou de colher 172 mil toneladas. 

No total da safra, o Paraná teve 54% de feijão-preto e 46% de feijão cores. A região sul do Paraná é responsável por 68% da produção. Entre as principais produtoras estão as regiões de Ponta Grossa, que respondeu a 24% da produção do estado e a região de Curitiba, com 15% da produção. Com relação aos preços recebidos pelo agricultor, o último levantamento do Deral mostra que a saca de 60 quilos de feijão de cor está sendo comercializada por R$ 93,90 e a de feijão-preto por R$ 113,20.

“O preço do feijão-preto está estabilizado, mas o valor da saca do feijão de cor não conseguiu reagir e não está satisfatório para o produtor, apesar de se manter acima do custo de produção de R$ 69,29. Uma das causas possíveis é a redução do poder de compra do consumidor”, explica o engenheiro agrônomo do Deral Carlos Alberto Salvador.

Com informações: Bem Paraná.

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