Cotidiano / Mundo 16 de março de 2018 17h45

Com a mão na massa, pedreiro humano ainda supera robô

Ao menos nessa corrida, os seres humanos mantêm a vantagem diante do futuro. Mas isso talvez não dure...

Demonstração de pedreiro semiautomático em Las Vegas, unidade custa US$ 400 mil - Roger Kisby / The New York Times
Demonstração de pedreiro semiautomático em Las Vegas, unidade custa US$ 400 mil - Roger Kisby / The New York Times

Os pedreiros trabalham com eficiência implacável, passando argamassa e posicionado tijolos rapidamente e ajustando-os para garantir o alinhamento. Ao fim de uma hora de trabalho, diante dos olhos de milhares de espectadores, eles construíram uma parede que representaria um dia inteiro de esforço, para um trabalhador operando em ritmo normal.

"Quando coloco tijolos, trabalho como louco", disse Matt Cash, de Charlotte, Carolina do Norte, que estava defendendo seu título na SpecMix Bricklayers 500, a maior competição mundial entre pedreiros.

Do outro lado do pátio de estacionamento em que a competição estava sendo disputada, em Las Vegas, o ritmo de trabalho exibido por um robô é decididamente mais lento. O robô é conhecido como SAM (sigla em inglês para pedreiro semiautomático) e, se entrasse na disputa, certamente perderia.

Ao menos nessa corrida, os seres humanos mantêm a vantagem diante do futuro. Mas isso talvez não dure. Há uma escassez cada vez maior de pedreiros qualificados nos EUA. A despeito da alta dos salários, falta mão de obra.

Quase dois terços dos pequenos empreiteiros de construção dizem que estão enfrentando dificuldades para encontrar pedreiros, segundo pesquisa da Associação Nacional de Construtores de Casas americana. E pode demorar três ou quatro anos para que uma pessoa ganhe experiência suficiente para trabalhar como pedreiro.

Além disso, a produtividade — o número de tijolos que o trabalhador consegue colocar em uma hora de trabalho — não é muito melhor hoje do que há duas décadas. As ferramentas mais importantes do pedreiro — trolha, balde, barbante e misturador de argamassa  —  não mudaram muito nos últimos séculos.

Esses fatores deveriam supostamente colocar esse segmento do mercado de trabalho em risco de uma tomada de controle pelos robôs.

PREÇO ALTO

Mas os concorrentes humanos na disputa em Las Vegas não parecem muito preocupados. SAM está longe de encontrar adoção ampla. Há 11 desses robôs em operação, cada qual custando US$ 400 mil (R$ 1,3 milhão), quantia proibitiva para os pequenos empreiteiros. As máquinas não são capazes de fazer cantos ou curvas, ou de ler plantas. Também requerem trabalhadores para reabastecer seus reservatórios de argamassa e limpar as junções dos tijolos que a máquina posiciona.

O que o SAM faz é trabalhar sem ficar cansado, com sede ou doente. Ou seja, o robô está envolvido em outra espécie de corrida.

Inovações como essa podem aliviar as pressões de custo da construção civil, que agravam a escassez de moradias em certas áreas dos EUA. Até mesmo Jeff Buczkiewicz, presidente da Mason Contractors Associationof America, associação de empreiteiros, reconheceu o papel dos robôs.

"As máquinas jamais substituirão os seres humanos", disse Buczkiewicz. "No futuro, elas ajudarão e farão com que precisemos de menos trabalhadores, mas, diante da escassez que vemos agora, isso provavelmente será bom."

No entanto, disse, "há um elemento humano nessa forma de artesanato que um robô não é capaz de prover".

Essa ênfase no lado artesanal do processo ficou bem evidente no concurso do dia 24 de janeiro. Em contraste com muitas outras feiras setoriais, a demonstração de tecnologias ficou em segundo plano com relação à disputa entre os pedreiros.

Colocar a quantidade certa de argamassa é essencial. Se há demais, ela resiste quando o tijolo é colocado. Se há de menos, os tijolos ficam perto demais uns dos outros.

Os ganhadores deste ano foram David Chavez e Miguel Contreras, pedreiros de Houston que conseguiram construir uma parede com quase 700 tijolos e não tiveram pontos descontados, um feito extraordinariamente raro.

Não importa o quanto os concorrentes sejam ágeis, eles e seus colegas de profissão enfrentam um desafio maior: manter os atrativos do tijolo como material de construção barato e durável. Para fazê-lo, eles precisam encontrar uma maneira de transferir suas capacitações e conhecimento a milhares de novos trabalhadores --ou a robôs como o SAM.

Com informações: UOL.

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