Cotidiano / Brasil 11 de outubro de 2018 15h25

As perdas da infraestrutura e suas conseqüências para o País

Artigo de Dilceu Sperafico deputado federal pelo Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado...

Em detrimento do crescimento de segmentos produtivos e bem-estar e segurança dos cidadãos, a infraestrutura do Brasil, especialmente a logística de transporte, além de não crescer e/ou evoluir em qualidade, está encolhendo. Com isso, perdem todos os que dependem de rodovias, ferrovias e mobilidade urbana.

Conforme especialistas, a infraestrutura brasileira perdeu investimentos de cerca de 40 bilhões de reais nos últimos dois anos. Com isso, o País dispensou o equivalente a quatro novas linhas de metrô, nos principais centros urbanos do País, com custos estimados entre oito bilhões e 10 bilhões de reais, cada uma.

De acordo com cálculos da consultoria especializada Inter. B., a perda foi avaliada com base em investimentos feitos em 2017 e/ou previstos para 2018, pois mesmo sendo integralmente executados, não serão suficientes para compensar a depreciação da infraestrutura já existente.

Conforme o estudo, esse abandono deixa o Brasil atrás da maioria dos países com nível de renda e desenvolvimento semelhantes, de acordo com levantamento recente do Banco Mundial.

No País, em 2017 foram aplicados em transporte, energia, telecomunicações e saneamento 110,7 bilhões de reais ou 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 1,95% em 2016 e em 1,7% previsto para 2018.

Ao longo desse período, segundo o levantamento, os equipamentos de infraestrutura do País sofreram desgaste em taxa estimada em 2,38% do PIB. Como o desgaste está sendo maior do que a reposição, manutenção, melhoria e novas obras, as instalações perderam valor, caindo de 36,2% do PIB em 2016 para 35,6% em 2018, conforme os especialistas.

Se for mantido esse ritmo de investimento no setor, o Brasil só irá oferecer infraestrutura básica para a população urbana e rural em 2076, o que significa prazo de 48 anos. Para reduzir esse tempo pela metade, seria necessário investir 4% do PIB por 24 anos seguidos.

Isso, segundo especialistas, sem falar em tecnologia de ponta para infraestrutura, mas no caso de saneamento básico, por exemplo, apenas universalizar o acesso à água tratada, esgoto e tratamento de resíduos. No setor, faltaria ainda reduzir o desperdício, que atualmente supera 25% da água tratada, enquanto no Japão fica em 6%.

Na internet banda larga, os cálculos levam em conta a universalização do acesso ao sistema mais rápido, elevando a equidade e eficiência,embora para atingir níveis de velocidade de países como a Coréia do Sul e Finlândia seriam necessários investimentos muito maiores.

Na área de transportes, como já se sabia, está o maior déficit de investimentos, pois o País vem destinando apenas um terço dos recursos indispensáveis para reduzir índices de congestionamento nas vias urbanas de regiões metropolitanas, o que fica muito abaixo do necessário para transporte de massa de qualidade. 

Além das deficiências das áreas urbanas, tanto nas vias públicas como nos equipamentos utilizados, os grandes problemas também estão nas rodovias, onde os investimentos em manutenção e melhoria da pavimentação, duplicação, sinalização e implantação de rotas alternativas, estão muito aquém do necessário. 

Nas ferrovias, como é notório, os problemas são ainda mais graves, com o abandono de muitas linhas. Com isso, perdem o agronegócio, a indústria, o comércio, os transportadores, os trabalhadores e os consumidores, que dependem do transporte público e privado.

*O autor é deputado federal pelo Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dep.sperafico@uol.com.br

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