Tecnologia / Mundo 31 de janeiro de 2018 16h33

Apple vai ter que se explicar à Justiça dos EUA por lentidão nos iPhones

A investigação nos EUA quer determinar se os usuários foram advertidos, de maneira clara, sobre os efeitos concretos desta intervenção, ou seja, a desaceleração dos aparelhos durante um uso intenso...

O Departamento de Justiça e a SEC (reguladora da bolsa americana) não esqueceram aquela história de a Apple não ter sido muito clara com seus usuários sobre um recurso que reduzia o desempenho dos iPhones maisantigos e confirmaram nesta terça-feira (30) o início de investigações para saber se houve má intenção.

A investigação nos EUA quer determinar se os usuários foram advertidos, de maneira clara, sobre os efeitos concretos desta intervenção, ou seja, a desaceleração dos aparelhos durante um uso intenso.

A Apple ainda não se manifestou. A SEC e o Departamento de Justiça se negaram a comentar o assunto.

Entenda o caso

Em dezembro, a Apple admitiu que modificou os programas de alguns modelos de iPhone (iPhones 6, 6S, SE e 7) para impedir que parassem de funcionar de repente. 

Na versão da Apple, isso é algo que pode ocorrer quando as baterias começam a dar sinais de envelhecimento e que podem acarretar em desligamentos temporários do celular. As fabricantes rivais negam que fazem isso.

Como parte da desculpa aos consumidores, a empresa deu um superdesconto para quem quiser trocar sua bateria velha por uma nova, e assim evitar que o recurso que traz lentidão de desempenho seja ativado.

Nos EUA, o preço cairá de US$ 79 para US$ 29; no Brasil, de R$ 449 para R$ 149. Mas nisso ela criou um novo problema: onde foi parar todo aquele discurso da companhia de cuidar do meio ambiente?

A falta de transparência da Apple levou a processos de consumidores também na Austrália e em Israel. Nos EUA, o site "Patently Apple" contabiliza várias ações, sendo que uma delas pede US$ 999 bilhões de indenização.

No Brasil, o Procon-SP notificou em 3 de janeiro a Apple Brasil para obter mais informações sobre a mudança no software e detalhes sobre o novo programa de troca de baterias.

A Justiça francesa também abriu uma investigação contra a Apple por "obsolescência programada" (desenvolver produtos feitos para ter queda de desempenho após alguns anos). Grupos de usuários acusaram a companhia de ter ocultado a modificação nos aparelhos e de ter feito isso com o objetivo de impulsar as vendas de seus modelos mais recentes.

João Carlos Lopes Fernandes, professor de Engenharia de Computação do Instituto Mauá de Tecnologia, disse ao UOL que não acredita nessa teoria da obsolescência, pois a marca só teria a perder se tirasse rapidamente do mercado toda a sua linha antiga de produtos. 

"Os processadores antigos costumam ficar um bom tempo no mercado. Quando surgem os novos, cai o preço do processador mais antigo, que pode chegar a metade do preço. Quando veio o iPhone X, o iPhone 7 teve queda de preço, por exemplo", diz Fernandes. (Com agência AFP e Bloomberg)

Com informações: UOL .

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