Política / Brasil 04 de julho de 2018 08h37

Apesar de preocupação, PT só deve definir candidato em agosto

Em reunião da executiva nacional da legenda, a cúpula do petista decidiu fazer uma mobilização para registrar a candidatura de Lula...

Apesar da apreensão provocada pelo calendário eleitoral, o PT decidiu manter a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 15 de agosto, enterrando publicamente, ao menos até lá, as discussões sobre quem disputará pelo partido, de fato, a Presidência da República.

Em reunião da executiva nacional da legenda, a cúpula do petista decidiu fazer uma mobilização neste dia para registrar a candidatura de Lula, preso em Curitiba desde 7 de abril.

Ao final do encontro, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, leu uma carta em que o ex-presidente critica o que chamou de "manobras" do Judiciário.

"Já não há razões para acreditar que terei Justiça", disse Lula no texto em que diz ver o comportamento de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) repetir o que se passou no julgamento do juiz federal Sérgio Moro e no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Na carta, Lula cita nominalmente o ministro Edson Fachin, do STF. O ex-presidente contesta decisão do magistrado de retirar da Segunda Turma do Tribunal e remeter para o plenário o julgamento de habeas corpus apresentado por sua defesa.

"Tal manobra evitou que a Segunda Turma, cujo posicionamento majoritário contra a prisão antes do trânsito em julgado já era de todos conhecido, concedesse o habeas corpus. Isso ficou demonstrado no julgamento do plenário, em que 4 do 5 ministros da Segunda Turma votaram pela concessão da ordem", disse o ex-presidente na carta.

Lula também reclamou também que "no apagar das luzes da sexta-feira, 22 de junho, poucos minutos depois de ter sido publicada a decisão do TRF-4 que negou seguimento ao meu recurso (o que ocorreu às 19h05), como se estivesse armada uma tocaia, a medida cautelar foi dada por prejudicada e o processo extinto, artifício que, mais uma vez, evitou que o meu caso fosse julgado pelo órgão judicial competente (decisão divulgada às 19h40)".

O ex-presidente afirma que sua defesa recorreu da decisão do TRF-4, mas que, novamente, o relator remeteu o julgamento do recurso ao Plenário.

"Com mais esta manobra, foi subtraída, outra vez, a competência natural do órgão a que cabia o julgamento do meu caso", protestou Lula.

"As manobras atingiram seu objetivo: meu pedido de liberdade não foi julgado" continuou Lula.

"Chegou a hora de todos os democratas comprometidos com a defesa do Estado Democrático de Direito repudiarem as manobras de que estou sendo vítima, de modo que prevaleça a Constituição e não os artifícios daqueles que a desrespeitam por medo das notícias da televisão", disse o ex-presidente.

Lula reafirmou não haver provas contra ele. "A única coisa que quero é que a Força Tarefa da Lava Jato, integrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Moro e pelo TRF-4, mostrem à sociedade uma única prova material de que cometi algum crime. Não basta palavra de delator nem convicção de Power Point", afirmou.

"Não estou pedindo favor; estou exigindo respeito."

Lula voltou a dizer que não cometeu crime e que, se não querem que ele seja presidente, "a forma mais simples de o conseguir é ter a coragem de praticar a democracia e me derrotar nas urnas".

"Desafio meus acusadores a apresentar esta prova até o dia 15 de agosto deste ano, quando minha candidatura será registrada na Justiça Eleitoral", encerrou o ex-presidente.

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