Esportes / Mundo 11 de agosto de 2017 15h42

'Crânios quebrados', polêmicas com árbitros e brilho de brasileiros: conheça a etapa mais temida do Mundial de surfe

Localizada no sudoeste da ilha do Taiti, na Polinésia Francesa, Teahupo’o é uma das ondas mais temidas por adeptos do esporte no mundo inteiro...

Tubos espetaculares, ondas gigantes e uma bancada rasa de corais afiadíssimos: esse é o desafio que os surfistas do Circuito Mundial enfrentarão a partir desta sexta-feira.

Localizada no sudoeste da ilha do Taiti, na Polinésia Francesa, Teahupo’o é uma das ondas mais temidas por adeptos do esporte no mundo inteiro – sendo eles profissionais ou não.

Mas não são apenas os seus tubos, com mais de dois metros de altura, que assustam até o mais desbravador dos surfistas. A força e a velocidade de suas ondas também são as principais marcas do evento.

Além disso, Cho-Po, como é popularmente conhecida, conta com uma rasa bancada de corais que chegam a quase um metro de altura. Não é à toa que quando traduzido para o português, seu nome significa “praia dos crânios quebrados”.

Um brasileiro, inclusive, já foi vítima quase fatal dessa onda. Trata-se do catarinense Neco Padaratz que, em 2000, teve o seu leash - cordinha que segura a prancha ao corpo - enroscado no reef. Dessa maneira, a onda o arrastou para o fundo dos corais. O acidente foi tão traumático que o atleta não voltou a surfar no "pico" durante três anos. 

Um campeão "desconhecido" 

Essa etapa, que passou a integrar o calendário do Circuito Mundial em 1999, é também uma das mais históricas para os atletas brasileiros. Nos  últimos três anos, o Brasil esteve em todas as fases decisivas da competição. 

No entanto, quem marcou as cores brasileiras na história do campeonato e conquistou uma vitória épica foi um surfista que sequer fazia parte da elite mundial. Em 2008, Bruno Santos ficou em segundo lugar nas eliminatórias e conseguiu uma vaga para disputar o evento. Na competição principal, o atleta  surfou aquelas ondas com maestria e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer por lá. 

Seis anos após esse feito,  quando mais nenhum brasileiro tinha triunfado naquelas ondas, eis que surge um novo talento: Gabriel Medina. O jovem surfista, na época com 20 anos, fez uma campanha espetacular e venceu grandes nomes do esporte para chegar à final contra ninguém menos do que Kelly Slater - 11 vezes campeão do mundo e único surfista a vencer quatro vezes no Taiti. 

A decisão foi considerada uma das mais emocionantes do campeonato. As ondas estavam tão boas que, em apenas uma bateria, os competidores já acumulavam cinco notas acima dos nove pontos, algo incomum no Tour. O resultado? Medina foi campeão da etapa, somando 9.43 e 9.53 pontos e despachando o maior campeão que o esporte já viu. 

No ano seguinte, amargou um segundo lugar ao perder para o francês Jeremy Flores na decisão do evento. O mar estava calmo e com poucos ondas entrando, deixando o local quase irreconhecível. 

Todos contra os juízes?

Em 2016, Medina mais uma vez ficou longe do bicampeonato. O surfista foi derrotado na semifinal pelo havaiano John John Florence. Com uma nota 10 e um 9.73, logo ele se viu atrás no placar por apenas 43 centésimos. A bateria, no entanto, causou muita polêmica, com fãs do esporte invadindo as redes sociais da WSL (World Surf League) e alegando que os juízes haviam favorecido o adversário. 

Quem saiu em defesa do atleta foram os australianos Matt Wilkinson e Julian Wison. "Quando passamos noites sem dormir, inúmeras horas em treinos e preparações, é difícil não se sentir recompensando em momentos importantes como esses", publicou Wilson, em sua conta no Instagram.

"Talvez seja hora de questionar o que os juízes veem e entendem como um 'bom surfe' em comparação ao que os melhores surfistas do mundo - em referência aos atletas da WSL - veem e entendem como 'bom surfe'. Não seria um pouco diferente?", acrescentou. 

Wilkinson, atual líder do ranking, se pronunciou logo embaixo. "É difícil de aceitar quando eles decidem a vida das pessoas e não ligam em fazer isso corretamente", comentou. 

Hora da verdade! 

Na sexta-feira, Gabriel Medina voltará ao Taiti para tentar reverter as últimas derrotas e trazer o seu segundo troféu para casa. Sempre favorito, agora ele terá um novo adversário pela frente: seu compatriota Filipe Toledo. 

Vindo de uma campanha espetacular na etapa de Jeffrey's Bay, que aconteceu na África do Sul, o surfista, conhecido por seus aéreos, tem mostrado grande evolução nas ondas tubulares. Um bom resultado por lá pode colocá-lo na briga por um inédito título mundial.  

Com apenas quatro eventos restantes até o fim do ano, essa etapa também será essencial para definir quais serão os candidatos na corrida pelo ''caneco'' de melhor do mundo. Na 5ª colocação, Adriano de Souza, mesmo não sendo especialista nessas ondas, precisa de uma boa performance para se manter na disputa por um bicampeonato. 

Para a "sorte" dos competidores, o maior campeão da etapa, Kelly Slater, estará de fora por conta de uma lesão no pé direito durante treinamento na África do Sul. Ele chegou a disputar a primeira fase do campeonato, mas acabou ficando de fora das demais. 

Você confere tudo sobre a etapa mais aterrorizante do surfe mundial, entre os dias 11 e 22 de agosto, com transmissão da ESPN+ e do WatchESPN.

Com informações: UOL .

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